Telefone: +351 929 261 237

Venda de imóveis perto de atingir valor recorde dos últimos anos

Vendas totais deverão superar as do ano passado e alcançar o melhor resultado desde 2010, estima a associação do setor.

Venda de imóveis perto de atingir valor recorde dos últimos anos

 

Vendas totais deverão superar as do ano passado e alcançar o melhor resultado desde 2010, estima a associação do setor.

 

Os preços são apetecíveis para quem quer vender e o crédito fácil ajuda quem quer comprar. O mercado imobiliário está novamente em alta e, se tudo correr como o esperado, este ano deverá aproximar-se do recorde de vendas de 2010. Para já, foram vendidas quase 189 mil casas em Portugal, mostram dados cedidos pelo Ministério da Justiça. Destas, à volta de 94 mil correspondem a imóveis de habitação.

Os números dizem respeito às certidões de registo predial, uma certidão obrigatória por cada ato de compra e venda, e que dá conta ao Estado da composição, proprietário e tipo de encargos (hipoteca, penhora, etc.) de um determinado imóvel. Agregam, por isso, tanto vendas de casas residenciais como terrenos ou garagens.

Sempre a subir desde 2013

 

“Não mais de metade deste valor dirá respeito a imóveis de habitação”, estima Luís Lima, presidente da APEMIP, a associação que representa os profissionais do imobiliário, ao JN/Dinheiro Vivo, sublinhando que uma recuperação constante do mercado de compra e venda desde o ponto mais baixo alcançado em plena crise económica – 2013.

Nesse ano, foram vendidas 176 850 casas, mostram os dados da Justiça. Eram menos 46,7% do que no pico de 2010, quando muitos promotores e empresas de construção tocavam no fundo. A recuperação começou a partir daí e tem sido consistente. O teto máximo de vendas pós-crise aconteceu no ano passado, com a notícia de 258 316 transações.

Este ano será mais. Tendo por base os quase 190 mil registos até à primeira semana de setembro, a APEMIP estima um fecho de 2017 com 270 a 280 mil vendas de casas. A verificar-se, será o valor máximo desde 2010, ficando, ainda assim, ligeiramente abaixo desse recorde (332 241).
Quanto a casas de habitação, Luís Lima não tem dúvidas: “Com base nesta tendência, a minha estimativa aponta para que sejam vendidos até ao final do ano 150 mil alojamentos familiares”.

Até ao terceiro trimestre do ano passado, foram vendidas 191 415 casas em Portugal, um valor ligeiramente acima dos atuais 188 669 que ainda não contêm as últimas três semanas de setembro, mês que ainda decorre. O último valor comparável é, por isso, o do segundo trimestre de 2017, quando foram transacionadas 138 249 casas em Portugal, mais 12 731 do que no mesmo período do ano passado. Contas feitas: até junho, as vendas cresceram 10%.

E com uma nuance: com a construção nova ainda a marcar passo, são as casas em segunda mão que mais fazem o mercado mexer. Das quase 189 mil vendas, não mais do que 13,7% diziam respeito a imóveis a estrear. Os restantes 86,3% eram imóveis que já tinham uma descrição anterior nos registos e notariado.

Não é de estranhar, afirma Manuel Reis Campos, presidente da AICCOPN, a Associação da Construção, dando conta de um andamento rápido do mercado da reabilitação urbana em Portugal, com muitos edifícios totalmente remodelados, “onde só fica a fachada e lhes é retirado todo o “miolo””, mas que, por causa do registo anterior, apartamentos novos acabam por entrar na estatística dos usados. Até junho, o mercado da construção nova representou 4400 edifícios “quase o dobro” da reabilitação, dados da AICCOPN.

“Bolha no imobiliário”

 

A maior parte das transações está a ter lugar em Lisboa e no Porto. A capital responde por 38 mil transações, mas o Porto já vai com 26 640 vendas. Os distritos de Faro, Leiria, Coimbra e Braga também têm vendas expressivas.

António Menezes Leitão, da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), acentua: “Há muita gente que hoje compra um imóvel e três meses depois já está a vendê-lo com lucro. Muitas destas vendas acontecem num período inferior a três meses”, detalha. Para o presidente da ALP, este mercado de revenda está a alimentar a especulação imobiliária em Portugal e, perante negócios cada vez mais apetecíveis, “este fator joga contra o arrendamento tradicional”, afirmou ao JN/Dinheiro Vivo “O crédito é o grande motor destas vendas, mas o que estamos a assistir é a uma bolha no imobiliário”, completa. v
mil casas foram vendidas até setembro no Porto. Lisboa responde, este ano, por 38 mil transações. As vendas nas zonas das duas maiores cidades estão impulsionadas, especialmente, pelos investidores estrangeiros e pela reabilitação de imóveis.

 

Fonte: jn.pt