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Use o dinheiro para comprar tempo livre e será mais feliz

A “fome do tempo” e o stress na sociedade moderna podem ser atenuados para os quem têm dinheiro para pagar a alguém

Use o dinheiro para comprar tempo livre e será mais feliz

A “fome do tempo” e o stress na sociedade moderna podem ser atenuados para os quem têm dinheiro para pagar a alguém que, por exemplo, limpe a casa. Investigadores defendem que comprar tempo traz mais felicidade do que comprar coisas materiais.

Não vamos entrar na discussão sobre se o dinheiro (por si só) compra a felicidade. Vamos por um atalho e falar sobre os resultados de um estudo que mostra que se usar o dinheiro para comprar tempo, aí sim, poderá estar a promover a sua felicidade. Numa época em que o mundo parece andar numa correria, uma equipa internacional de investigadores fez um inquérito a mais de seis mil pessoas que compraram tempo pagando a alguém para fazer tarefas como limpar a casa, fazer as compras de supermercado ou cozinhar. A conclusão (pouco surpreendente, talvez) é que estas pessoas afirmaram estar mais satisfeitas com a vida. Com uma experiência isolada, os cientistas perceberam também que gastar 34 euros (40 dólares americanos) a comprar tempo é muito mais satisfatório do que gastar a mesma quantia num objecto.

O artigo com o título “Comprar tempo promove a felicidade” mostra os resultados obtidos com um inquérito a 6241 pessoas a viver nos EUA, Canadá, Dinamarca e Holanda. Este grupo de inquiridos envolvia 366 trabalhadores associados à Mechanical Turk (uma plataforma de emprego “online” que permite que as pessoas escolham o que fazer e quando o fazer perante uma determinada procura das empresas inscritas no sistema) e uma amostra representativa da população com 1260 trabalhadores americanos a viver nos EUA, um grupo de 467 adultos a viver na Dinamarca e de 326 a viver no Canadá e ainda uma outra amostra representativa de 1232 pessoas e 818 milionários a viver na Holanda.

A questão colocada pelos investigadores era apenas se (e quanto) gastavam por mês para aumentar a fatia de tempo livre, pagando a alguém para desempenhar alguma tarefa diária desagradável. Depois tinham de classificar o nível de satisfação com a vida e fornecer alguns detalhes sobre os rendimentos, número de horas semanais de trabalho, idade, estado civil e composição do agregado familiar. Os resultados revelaram que 28,2% dos inquiridos gastou dinheiro a comprar tempo todos os meses. A quantia média gasta foi de 126 euros (147 dólares americanos). E, concluem os investigadores, quem gastou dinheiro desta maneira relatou uma maior satisfação com a vida.

Desconstruindo a tabela dos resultados, encontram-se alguns dados previsíveis. Por exemplo, o grupo dos milionários foi onde se encontrou mais pessoas a comprar tempo (60%) e com um maior investimento. No oposto do quadro, estavam o grupo dos trabalhadores da Mechanical Turk onde só 15% comprou tempo. Numa outra experiência, os investigadores pediram a 60 pessoas para gastar 34 euros a comprar algo material num fim-de-semana e a mesma quantia para comprar tempo num outro fim-de-semana. Os participantes neste teste revelaram que quando compravam tempo sentiam, ao final do dia, menos efeitos negativos e menos stress associado à pressão do tempo.

O estudo nota que há cada vez mais pessoas que se sentem reféns do tempo, porque têm muitas coisas para fazer mas também porque sentem que não conseguem ter controlo sobre o seu tempo. “Ironicamente, gastar dinheiro num serviço que vai significar economia de tempo pode prejudicar as percepções de controlo pessoal, levando estas pessoas a inferir que não conseguem lidar com as tarefas diárias e, desta forma, potencialmente reduzir a sensação de bem-estar”, argumentam os autores do estudo, sugerindo que a “relação benéfica entre a compra de tempo e a satisfação com a vida pode ser curvilínea e reverter nos mais altos níveis de gastos em compras com economia de tempo”. Ainda assim, arriscamos dizer, o problema maior será para os que não têm dinheiro para comprar tempo.

 

Fonte: publico.pt