Blog

Qual foi afinal o impacto no mercado imobiliário em 2020?

Concluído o ano de 2020, importa olhar para trás e perceber qual foi o comportamento do mercado imobiliário neste ano tão atípico, com a expectativa que essa análise nos permita estimar o comportamento futuro e perceber algumas tendências.

Assim, como já vai sendo habitual em cada trimestre, fiz uma análise às transações efetivamente realizadas pela rede Remax, na qual considerei os valores efectivos pelos quais os imóveis foram transacionados, de modo a perceber, por tipologia e por freguesia, a variação dos preços no concelho do Porto.

Aceitando o desafio lançado por alguém de olhar para o número de transações, fiz também um levantamento do número de transações por tipologia para percebermos o impacto do ano de 2020.

Começando exactamente por aqui, estas são as principais evidências:

  • Em 2020, face a 2019, verificou-se uma redução generalizada do número de imóveis transacionados, o que na verdade, face à realidade que todos conhecemos, não será de todo surpreendente;
  • A única tipologia que se manteve estável, em número de transações foram os T3, seguidos dos T2 onde a redução foi de apenas 13%;
  • A tipologia T0 e os prédios foram os imóveis com uma descida mais acentuada: em 2020 venderam-se 50% do número de T0’s e 58% dos prédios, face a 2019;
  • Nas tipologias T1, T4 e moradias, o número de transações situou-se entre os 70 a 75% do número de transações de 2019.

Importa também constar que:
Em ambos os anos, o T2 é a tipologia mais vendida no concelho do Porto;
Em 2020, o número de transações de T3, T1e moradias foi muito equiparado;
Tal como em 2019, a tipologia T0 é a menos representativa, seguida dos prédios.

Considero que podemos concluir que durante 2020, manteve-se a procura de imóveis para habitação própria de forma estável, ou seja, as pessoas e famílias continuaram a ter necessidades de habitação e de mudança de casa, decorrentes de alterações da estrutura familiar, por questões profissionais e também, muitas vezes, porque os períodos de confinamento fizeram surgir outras necessidades habitacionais.
Terá sido nas tipologias mais vocacionadas para o investimento que a redução do número de transações foi mais acentuado, fruto, creio, da incerteza do mercado e do consequente adiamento de decisões de investimento, dada a conjuntura de 2020.

E o que aconteceu afinal aos preços? Qual a variação dos valores de venda?
Sobre isso falaremos então na próxima semana.
Até breve!