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Porto na liderança da procura de imobiliário

Falta de oferta em Lisboa e Algarve leva à deslocalização da procura dos investidores

O Porto lidera a procura imobiliária em Portugal, com quase 40% das intenções de compra a situarem-se nesta região. Lisboa mantém o segundo lugar, com 23,1% das intenções, e, em terceiro lugar, surge Faro. Um distrito cuja procura até está a aumentar, mas que se depara com um problema de falta de oferta. Os imóveis disponíveis no Algarve correspondem a, apenas, 7,5% do total nacional. Os números são do inquérito mensal de conjuntura da APEMIP – Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal que acredita que se assistirá, dentro de pouco tempo, a uma “descentralização do investimento imobiliário” para outros distritos, como Aveiro e Coimbra.

“Com a retoma do setor imobiliário, a procura focou-se, numa primeira fase, no distrito de Lisboa. Mas tem vindo a deslocar-se para outros distritos. O motivo central prende-se com a ausência de ativos e com o aumento dos preços de mercado em Lisboa, que fizeram com que as intenções de compra se dirigissem para o Porto”, refere o presidente da APEMIP. Luís Lima lembra que o Porto tem, ainda, uma oferta de 39,2%, versus os 10,1% do distrito de Lisboa. Refira-se que a procura na cidade do Porto é já superior à oferta disponível. Segundo dados disponibilizados ao JN/Dinheiro Vivo, a procura no concelho do Porto é de 29,8% e a oferta não vai além dos 20,5%. O que explica que o valor médio de venda do imobiliário no concelho do Porto seja de 1.996 euros o metro quadrado, mas, sobretudo, explica a disparidade de valores dentro da cidade. No chamado ‘triângulo dourado’, que contempla a Avenida dos Aliados, a rua de Mouzinho da Silveira e a zona dos Clérigos, o preço dos imóveis já ultrapassa os três mil euros por metro quadrado. Em contrapartida, áreas como as de Campanhã não chegam, sequer, aos 1.500 euros por metro quadrado. Para Luís Lima, a aposta na reabilitação mantém-se como uma prioridade, mas já não é suficiente. “É preciso haver construção nova”, defende, não só porque “a procura já o justifica”, mas porque isso ajudará a uma “estabilização de preços que será benéfico para todos”. Portugal está na moda? A APEMIP garante que sim. “O país passou a estar na rota dos investidores, não pelas notícias que dizem que estamos na moda, mas porque os negócios são atrativos. E à medida que se vai esgotando o stock, a procura vai-se deslocando. O investidor vai para onde pode ganhar dinheiro”, lembra. A instabilidade no sistema financeiro também ajuda, com os particulares a “preferirem investir as suas poupanças em terrenos ou outros ativos do que em tê-las no banco”. Tudo razões que levam o presidente da APEMIP a estimar um crescimento de 30% no mercado imobiliário nacional este ano. “Vai ser um grande ano”, afirma, convicto. Isto se “não houver impostos adicionais nem outras alterações que quebrem a confiança”, sublinha.

 

Fonte: dinheirovivo.pt