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Porto entrou no radar internacional e já não vai sair

 

O Porto mantém-se atrativo para as multinacionais instalarem os seus centros tecnológicos e serviços partilhados.

O Porto tornou-se uma cidade atrativa para o turismo, mas também para viver e trabalhar. Prova disso é a dinâmica que o sector imobiliário tem registado nos vários segmentos e que é comprovada pelo estudo Market 360º Porto, da consultora JLL. Uma das áreas que está em forte transformação é a dos escritórios, que tem projetado um acréscimo de cerca de 170 mil metros quadrados. “Demos o passo da internacionalização, demo-nos a conhecer ao mundo, as pessoas querem voltar, viver, trabalhar – já não há volta atrás”, diz Maria Empis, diretora da JLL. “Há multinacionais muito ativas na procura de lugar para se instalar e estão dispostas a esperar um ano ou dois pelo culminar do processo”, adianta. A procura “muito acelerada” das empresas é uma realidade, mas o mercado está sem resposta imediata. E porquê? Segundo o estudo da JLL; “há quase dez anos que não era desenvolvido nenhum edifício de escritórios” e, por isso, “é evidente a desadequação da qualidade da oferta de hoje aos requisitos dos novos ocupantes”.

A expansão do Centro Empresarial da Lionesa, o Porto Office Park (POP), o Palácio dos Correios, o Porto Business Plaza ou o Tawny são exemplos de projetos que deverão estar concluídos nos próximos dois anos. E a procura das multinacionais para a instalação dos seus centros tecnológicos e serviços partilhados “acabou de começar”, sublinha Maria Empis. Estas empresas e os seus colaboradores “querem estar no Porto”, “não há outras geografias a responder” e, no que toca à competitividade, é mais fácil convencer a uma deslocalização para o Porto do que para qualquer cidade da Polónia, por exemplo, diz. Entre 2016 e o terceiro trimestre de 2018, a entrada de novas empresas e a expansão de outras já presentes no mercado representou 65% do total ocupado (estimam-se mais de 120 mil metros quadrados ocupados neste período), avança o estudo. As mais ativas foram as empresas tecnológicas, com mais de 47% do total de absorção. Compra em planta A compra de imóveis residenciais em planta começa a tornar-se uma tendência na região. A pouca oferta e a elevada procura, quer de nacionais quer de internacionais, estão a impulsionar esta realidade, que já há muitos anos não se verificava. No primeiro semestre deste ano e com base nas transações da JLL, 59% das vendas das casas foram compradas por portugueses. Os brasileiros destacam-se na compra de casa na Invicta (pesam 35% nas aquisições feitas por estrangeiros), seguindo-se os sul-africanos (20%), os franceses (16%), os israelitas (12%) e os britânicos (7%). O Centro Histórico do Porto e a Foz mantêm-se como zonas premium. A reabilitação do edificado é outra das áreas em ebulição. E, como sublinha Maria Empis, “apesar de se já ver bastantes gruas na cidade, ainda há muito para fazer” neste segmento no Porto. No casco histórico da cidade, a recuperação do edificado – a maioria com destino turístico – tanto se está a efetuar por investidores estrangeiros como nacionais. O imobiliário comercial está agora mais focado nas lojas de rua, com o segmento dos centros comerciais e retail parks a viver um estado de amadurecimento. A Rua de Santa Catarina é o must para as marcas de mass market, a zona dos Clérigos está a crescer, muito impulsionada pelo turismo, e as baterias estão agora apontadas para a Avenida dos Aliados, onde estão a surgir unidades hoteleiras de luxo, e que poderá tornar-se uma zona comercial prime. Para Maria Empis, o setor imobiliário poderá deixar de registar crescimentos tão acentuados como nos últimos três anos mas, mesmo que a economia abrande, “já não haverá quebras tão acentuadas” como sucedeu no período da crise económica. No caso do Porto, diz, “o mercado estava numa base muito baixa, houve correções no preço, e ainda há uma componente de crescimento acima da correção”.

 

 

Fonte: dinheirovivo.pt

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