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Onde é mais difícil ter casa? No Algarve

 

É nos municípios do distrito de Faro que os preços e as rendas das casas estão mais desfasados dos salários locais. Descubra se é melhor comprar ou arrendar no seu concelho.

 

Um em cada sete turistas em Portugal escolhe Albufeira como destino de férias — é o segundo município português que mais veraneantes recebe, apenas atrás de Lisboa, revelam as estatísticas mais recentes. Porém, quem quiser dormir em Albufeira como residente enfrentará um obstáculo: é um dos concelhos onde é mais difícil comprar ou arrendar casa.

No terceiro trimestre de 2017, os alojamentos familiares vendidos em Albufeira registaram um preço mediano de 1.524 euros por metro quadrado, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), o que significa que uma casa de 101 metros quadrados custa perto de 154 mil euros. Porém, em 2015, o vencimento mensal bruto dos albufeirenses rondava 884 euros, de acordo com o Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social. Uma habitação custa, assim, o equivalente a 15 anos de trabalho.

Arrendar pode não ser mais fácil. Em 2017, os novos contratos de arrendamento em Albufeira tiveram um valor mediano de 5,78 euros por metro quadrado, o que representa uma renda de 584 euros para uma casa de 101 metros quadrados. Isto quer dizer que seria preciso aplicar mensalmente 66% do ganho bruto médio de um trabalhador. Para o Governo, existe uma sobrecarga das despesas com arrendamento quando as rendas ultrapassam 40% dos rendimentos líquidos do agregado familiar.

Para avaliar os concelhos onde é mais complicado ter casa, o Observador comparou os preços dos alojamentos familiares (usando o preço por metro quadrado no terceiro trimestre de 2017, o último disponível, e uma estimativa da área média das habitações) e as rendas (contratadas em 2017) com o ganho médio bruto dos residentes (em 2015, os últimos disponíveis a nível municipal).

 

Casas baratas estão no interior

 

Em Boticas, no distrito de Vila Real, os salários brutos estão entre os mais baixos de Portugal: cerca de 744 euros por mês, em termos médios. Todavia, as casas vendem-se pelo preço mais baixo: 118 euros por metro quadrado no terceiro trimestre de 2017. É por isso que o concelho de Boticas é onde é mais fácil comprar casa: é preciso acumular o equivalente a 17 meses de salários para adquirir uma casa de 105 metros quadrados por 12.390 euros.

É nos distritos afastados do litoral, como Bragança, Castelo Branco e Guarda, que os preços das habitações são mais baixos e, logo, as compras podem ser mais acessíveis. Há, no entanto, um concelho em que a facilidade se deve aos salários elevados e não aos preços baixos: Vila do Porto, na ilha açoriana de Santa Maria. Nesse local, os vencimentos médios são os mais elevados de Portugal.

O Algarve é, de longe, a região onde é mais difícil comprar casa para viver. Em Lagos e em Loulé, os preços dos alojamentos familiares são equivalentes a 16 anos de vencimentos médios, segundo as últimas estatísticas. As dificuldades estendem-se a outros concelhos muito próximos do Atlântico, como Cascais, Nazaré, Esposende, Lisboa, Mira, Mafra, Póvoa de Varzim, Odivelas e Funchal.

 

E arrendar?

 

Embora haja menos dados oficiais, é possível alargar as conclusões sobre as dificuldades de ter casa ao mercado do arrendamento. É mais complicado arrendar uma habitação no Algarve e em alguns municípios do distrito de Lisboa, incluindo na própria capital.

“Nas áreas urbanas do país, sobretudo em Lisboa, os preços das casas são muito elevados face ao rendimento médio das famílias”, relata um estudo recente da Cáritas Portuguesa, um serviço da Conferência Episcopal Portuguesa, o agrupamento dos bispos da Igreja Católica. “Os preços da habitação em Portugal, quando comparados com a média dos valores dos rendimentos, são desproporcionados”, conclui a análise.

Em Cascais, a renda de uma habitação de 104 metros quadrados é de cerca de 838 euros, quase 73% do ganho médio mensal para os trabalhadores cascalenses.

Em Belmonte, no distrito de Castelo Branco, é possível arrendar casas com pouco mais de 100 metros quadrados por 171 euros, o montante mais baixo entre os 200 municípios portugueses com informação sobre rendas dos contratos firmados em 2017. É o equivalente a 23% do salário bruto local.

 

Onde é melhor arrendar

 

O Algarve tem os preços e as rendas das habitações mais dessincronizados com os rendimentos dos residentes, mas o arrendamento na região está mais próximo da realidade do resto do país. Um habitante de Lagos pode optar por pagar uma renda de cerca de 554 euros ou comprar uma habitação semelhante por quase 170 mil euros. Isto quer dizer que pagaria o equivalente a quase 26 anos de rendas, o que é exagerado para muitas pessoas.

Embora o distrito de Faro se destaque pelos preços muito afastados das rendas, é na Nazaré que estão mais longe. O preço estimado de uma habitação de 100 metros quadrados vale tanto como mais de 27 anos de rendas de uma casa semelhante, aos preços atuais.

O arrendamento pode ser também uma opção mais interessante noutros municípios espalhados pelo país, como Grândola, Mira e Ponte de Lima.

Os concelhos onde a compra tenderá a ser uma decisão mais acertada estão mais no interior, embora também dispersos pelo território nacional. Em Gouveia, por exemplo, uma habitação familiar de 107 metros quadrados custa cerca de 27.499 euros, segundo as últimas estatísticas, o equivalente a menos de nove anos de rendas. Em metade dos 200 municípios analisados, o preço das casas não chega a somar 17 anos de rendas.

Fonte: observador.pt

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