O que diz o I.N.E. sobre os preços da Habitação em Portugal?

No passado dia 23 de Março foi publicado pelo I.N.E. relatório sobre o Índice de Preços da Habitação.

O que considero que importa reter?

  • Em 2020 o índice de Preços da Habitação (IPHab) aumentou 8,4%, menos 1,2, pontos percentuais que em 2019. Assim, continuamos a assistir a um crescimento dos preços mas a um ritmo não tão acelerado como em 2019; Será de notar que já em 2019 o IPHab reduziu 0,7 pontos percentuais face ao ano anterior.
  • O aumento médio anual dos preços das habitações existentes (8,7%), superou o das habitações novas (7,4%);
  • Em 2020 foram transacionadas 171.800 habitações, menos 5,3% que em 2019. É a primeira vez, desde 2012, que o número de transações de habitações diminui, o que será, sem dúvida, resultado do impacto da conjuntura adversa e efeito da pandemia Covid.19. 
    • É interessante perceber que este comportamento foi bastante díspar ao longo do ano: 
      • verificaram-se aumentos homólogos no número de transações em Janeiro e Fevereiro (período pré-pandemia), 
      • seguiu-se um período, até Outubro de redução do número de transações com o 2º trimestre do ano com uma redução homóloga de 21,6%, 
      • e em Novembro e Dezembro assistimos a aumentos de 4% e 12,6% respectivamente.
  • Será de salientar, contudo, que, em valor, estas transações representam 26,2 mil milhões de euros, traduzindo-se num aumento de 2,4% face a 2019. Será de concluir que, apesar do número de transações ser inferior, em média, foram de valor mais elevado.

Em termos regionais, os gráficos abaixo demonstram de forma muito clara a distribuição das transações, quer em número quer em valor, por região:

É evidente o efeito da pandemia no mercado de habitação em 2020, contudo, o impacto parece estar circunscrito aos períodos de confinamento e limitação de circulação. Será, na minha opinião, revelador de um estado “saudável” do mercado imobiliário que espero que se mantenha em 2021.

Neste primeiro trimestre de 2021 as restrições à mobilidade foram acentuadas mas sinto, face às expectativas e motivações quer da oferta quer da procura, pelo menos no mercado do Porto, que assim que forem levantadas as restrições teremos possibilidade de assistir novamente a um comportamento “saudável” do mercado. 

Na verdade, se há algo que se tornou realmente importante com a pandemia foi a nossa casa!

Fonte: I.N.E.

Poderá consultar a publicação integral do I.N.E. aqui: Índice de Preços da Habitação