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Casa do futuro está a ser testada no deserto para desafiar o clima

 

Uma estrutura em vidro implantada no meio do deserto prova que é possível viver no limite, com temperaturas que oscilam entre os 50 graus no verão e os 10 negativos no inverno. A estrutura procura a autossustentabilidade e para já, em fase de testes, está aberta, por 150 euros, aos turistas mais curiosos.

É um dos projetos arquitetónicos mais arriscados de que há memória. Uma casa feita de vidro no meio do nada, no deserto de Gorafe, no Sul de Espanha, que desafia as temperaturas extremas e é autossustentável. A casa do deserto não tem mais de 20 metros quadrados. Promete temperaturas máximas de 28ºC no pico do calor, e mínimas de 18ºC quando lá fora estiverem temperaturas negativas. É isso, pelo menos, que os seus criadores estão a tentar provar.

“O clima de Gorafe é extremo. Podemos chegar a temperaturas entre 45ºC a 50ºC, no verão, e -10ºC, no inverno”, revela Miguel Pérez Navarro, presidente da Câmara de Gorafe. A altitude chega a 1000 metros, o que significa uma elevada radiação ultravioleta. Mas isso não é problema, porque o vidro está feito para a evitar também.

A estrutura foi criada pela empresa Guardian Glass, especialista em vidros feitos com tecnologia de ponta que não só resguardam o interior da casa e moderam as temperaturas, como sustentam todo o edifício. Os responsáveis montaram o imóvel no meio do deserto para provar que é eficiente: “Se a experiência resultar bem, como temos a certeza que vai resultar, todos os locais vão estar aptos a acolher este modelo também”, justificou Guus Boekhoudt, vice-presidente da Guardian Glass na Europa. Num futuro em que se preveem condições climatéricas cada vez mais extremas, a chave da autossustentabilidade pode residir na experiência em curso naquele local recôndito. A casa foi inaugurada a 17 de abril deste ano e a experiência vai durar um ano, com possibilidade de acolher quem lá queira ficar por 150 euros por noite.

Os cerca de 20 metros quadrados de interior são compostos por um quarto, uma casa de banho e uma sala de estar. A decoração é leve, em tons de branco e bege. Dorme-se num colchão para duas pessoas, toma-se banho numa área de duche ao centro da casa de banho, e há ainda uma estante, um banco e uma cadeira que baloiça, bem como uma mesa. Tudo em formato miniatura, a contrastar com a imensidão do deserto que a rodeia.

Quem visita a casa fica com a sensação de que o deserto está a invadir o interior, e o mesmo acontece à noite com o céu límpido, estrelado, sob um silêncio apaziguador. A estrutura de vidro está colocada sobre uma base de madeira no topo de uma colina no deserto dos Coloraos de Gorafe e a ideia é que seja retirada dentro de poucos meses, deixando o local tal como foi encontrado antes de a casa ser ali montada. Sem qualquer vestígio de ocupação.

O deserto de Gorafe é composto por 40 hectares de espaços áridos, pedra e terra, um espaço vasto modelado pela natureza que permanece incólume à intervenção humana. O resultado de viver ali é uma sensação de paz e liberdade, onde predominam os verdes das ervas daninhas, os castanhos da terra e pedra, e os vermelhos das papoilas que florescem em cada canto.

A população mais próxima fica em Gorafe, a cerca de 15 sinuosos minutos. A partir de Portugal, há voos para Málaga ou Granada (este com escala em Madrid). O passo seguinte é ir de carro até Guadix e seguir até ao vale do deserto rochoso de Gorafe, a meia hora de distância de Guadix. De Gorafe à casa do deserto são cerca de 15 minutos por estradas onde predominam as curvas apertadas e, no final, um pequeno troço em terra batida que nos leva diretamente ao paraíso no meio do deserto. Com tal paisagem, a autossustentabilidade torna-se fundamental. Na parte energética, é conseguida com sistemas de produção alimentados por painéis fotovoltaicos. O saneamento é feito com recurso a manutenções regulares e a água é filtrada através de um sistema que também se alimenta dos painéis. Ali pode-se cozinhar, lavar a roupa e aceder à Internet.

“É confortável, sustentável e eficiente”, reforça o responsável da Guardian Glass. No final do dia, assegura Guus, o que as pessoas querem é mais luz dentro das suas casas. Por isso, nada melhor que testá-lo num ambiente extremo para provar que o vidro consegue resistir e proporcionar conforto: “Eu costumo dizer que não estamos a vender vidro, estamos a vender luz do dia”. É possível passar até duas noites na casa do deserto em Gorafe, com capacidade para duas pessoas. As reservas são feitas em www.acasadodeserto.pt/reservas e já há poucas datas disponíveis em outubro e novembro. Para além da experiência de pernoitar na casa do deserto, é possível visitar a povoação de Gorafe e as suas casas-gruta, num dos maiores conjuntos megalíticos da Europa.

Fonte: jn.pt

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