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O boom dos negócios com castelos, mansões e condomínios de sonho

Vimos piscinas infinitas, jardins envidraçados, escadarias de mogno e spas privativos. E não, não foi no cinema. De Norte a Sul há casas que merecem entrar em filmes (algumas já serviram para este efeito). Agora estão à venda

O boom dos negócios com castelos, mansões e condomínios de sonho

 

Vimos piscinas infinitas, jardins envidraçados, escadarias de mogno e spas privativos. E não, não foi no cinema. De Norte a Sul há casas que merecem entrar em filmes (algumas já serviram para este efeito). Agora estão à venda

Lisboa é um estaleiro gigante, onde porta sim porta não há um prédio a ser reabilitado. Porto vai pelo mesmo caminho. Da Invicta para cima, até Braga, são as quintas vinícolas – e até castelos – que dominam as preferências das imobiliárias de topo. Já o Algarve desperta para as mansões na primeira linha de mar. O mercado das casas para o “segmento alto” – palavras-chave no léxico do meio porque, dizem-nos, os ricos consideram que o termo luxo, além de banalizado, é ostensivo – não pára de crescer. A partir dos seis dígitos há alguma oferta e cada vez mais procura por parte de investidores estrangeiros. A grande interrogação: como chegámos a este nível?

SÁBADO analisou o boom numa reportagem de Norte a Sul do País. Num Portugal a duas velocidades, onde há populações sem casa devido aos incêndios, descobrimos imóveis deslumbrantes – um deles até serviu de décor para um filme de Manoel de Oliveira (Espelho Mágico, 2005). Falámos com proprietários que recordaram os antepassados das casas e a vizinhança de notáveis. E soubemos que havia interessados, de várias nacionalidades, em comprá-los para habitação própria ou investimento.

Os imóveis mais contemporâneos fazem-se valer dos luxos exclusivos. Vimos piscinas infinitas, salas de cinema, jardins envidraçados e spas privativos (por exemplo, sauna e jacuzzi nos pisos inferiores). Encontrámos ainda o fenómeno dos supercondomínios – alguns já concluídos, outros em planta e muitos em construção –, com atractivos high tech (domótica para a gestão da casa já é banal para este nicho) e reforço de segurança (elevadores com codificação por piso), entre outros confortos.

Metro quadrado mais caro 

Os indicadores deste êxito medem-se de várias formas. Na última edição do Salão Imobiliário de Portugal (SIL), que decorreu na Fil em Lisboa entre 18 e 22 de Outubro passado, registou-se um aumento de 25% nas visitas (62.639 pessoas) e 10% no número de stands (330 empresas) face ao ano passado. “Portugal tem características únicas e diferenciadoras: foi considerado um dos países mais seguros do mundo para viver, beneficia de estabilidade política e económica, e a proximidade geográfica à Europa é cada vez mais valorizada pelos investidores estrangeiros”, explica à SÁBADO a gestora do SIL Sandra Bértolo Fragoso.

A medida incontestável é o preço por metro quadrado, que a mesma responsável identifica pelas zonas que praticam os valores mais elevados: Lisboa (Baixa/Chiado, Avenida da Liberdade, Príncipe Real e Lapa); Cascais; Porto (Baixa e Foz); e Algarve (Vilamoura, Quinta de Lago e Olhos de Água).

A Confidencial Imobiliário, especializada em estudos na área, avança números: por exemplo, no concelho de Lisboa, os preços das casas subiram 23,7% no segundo trimestre de 2017 face ao período homólogo do ano anterior. No centro histórico da cidade, o aumento foi maior ainda (26,3%) no primeiro semestre de 2017, comparativamente ao primeiro semestre de 2016. De acordo com várias estimativas de profissionais do sector, o termómetro do luxo na capital começa a subir com um milhão de euros por imóvel e preços de referência por m2 entre os €5.000 e €8.000.

 

Alternativa às poupanças no banco

 

Consultores e dirigentes de imobiliárias de topo consultados pela SÁBADO são unânimes: 2017 é um ano de força nas vendas dirigidas a um mercado internacional. Afastam a tese da bolha imobiliária e preferem acreditar que a procura irá consolidar-se e mais projectos de construção virão a caminho nos próximos cinco anos.

Para uma casa ser um verdadeiro luxo, há vários parâmetros a ter em conta. Ricardo Sousa, administrador da mediadora Century 21, destaca três: a prime location (não só a vista, mas as acessibilidades e a proximidade do rio ou do mar); os acabamentos (melhor ainda se tiverem arquitectura de interiores, conforto acústico e térmico); o lifestyle (envolvência de restaurantes e status associado à habitação em determinado sítio). “A grande mudança em 2017 deu-se com a descentralização de Lisboa e do Algarve para o Norte. O mercado internacional valoriza muito o País rural e as vinhas”, explica o responsável.

Além dos já conhecidos casos de investidores chineses, brasileiros, angolanos, alemães, franceses e britânicos, que entram pela via dos vistos Gold, há nacionalidades emergentes na aquisição. A começar pela portuguesa, com um peso crescente na facturação das imobiliárias. Rafael Ascenso, director-geral da Porta da Frente recorda que, em 2015, representava 20% no total de vendas e actualmente posiciona-se nos 32%. Justifica o fenómeno pela desconfiança nos bancos: “Os portugueses entraram à séria no segmento alto no final de 2015. São empresários de sucesso, ou altos quadros de empresas privadas. Viram no imobiliário um refúgio seguro para as suas poupanças e até para rentabilidade.”

Novos mercados e comissões por vendas  

Já os belgas, suíços e escandinavos “rendem-se à magia de Portugal”, porque estão cansados dos países de origem fechados, acrescenta Francisco Quintela, sócio da imobiliária Quintela e Penalva. Após ter iniciado a promoção internacional em roadshows, há quatro anos, o responsável orienta-se agora para as zonas de conflito. “Irão, Egipto ou Argélia são o foco, pois tornam-se mais fáceis de aceder num primeiro momento.”

Do lado dos proprietários, a partir dos dois milhões começam a levantar entraves à divulgação da venda nos sites ou em montras de agências. Por isso, a SÁBADO recebeu várias recusas de entrevistas a donos, especialmente quando os valores passavam aquela fasquia. Ciosos da privacidade, sobretudo os que têm casas na linha de Cascais e Sintra ou palacetes em Lisboa, preferem privilegiar clientes estrangeiros numa base individual, explica a consultora Alexandra Viveiros da agência Re/Max Collection. A especialista admite que está a ser um ano excepcional. “Em média cobram-se 4% a 5% de comissões por venda.”

 

Fonte: sábado.pt

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